ABCON lança “Panorama da Universalização 2026”

O acesso à água potável e ao esgoto tratado sempre foi um dos maiores gargalos do desenvolvimento brasileiro.

Contudo, a publicação do estudo “Panorama da Universalização 2026”, elaborado pela ABCON SINDCON (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), mostra que o país está vivendo uma verdadeira revolução silenciosa de infraestrutura.

Celebrando 30 anos de atuação da associação, o relatório traz números impressionantes que provam como a segurança jurídica e a atração de capital  estão transformando compromissos em resultados concretos.

Confira os principais destaques do levantamento e entenda o que mudou no setor nos últimos anos!

 

  1. Mais Água na Torneira e Tratamento de Esgoto Acelerado

Desde a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, a expansão do atendimento no país deu um salto de escala:

 

  • Água para mais famílias: Entre 2019 e 2025, o número de domicílios conectados à rede pública de água cresceu 14%, saltando de 59,7 milhões para 68,3 milhões. Hoje, mais de 60 milhões de residências contam com disponibilidade diária de água potável.
  • Esgotamento sanitário: O alcance da rede de esgoto subiu 20% no mesmo período. Foram 9,3 milhões de novas residências conectadas — um incremento maior do que a soma de todos os domicílios do estado de Minas Gerais!
  • Avanço ambiental: Em 2024, 51,8% do esgoto gerado no Brasil foi tratado. Trata-se de um volume equivalente a 1,9 milhão de piscinas olímpicas de efluentes que deixaram de poluir nossos rios e praias.

 

 

  1. Inclusão Social: Saneamento Chegando aos Mais Vulneráveis

A universalização só acontece de fato quando alcança quem mais precisa. O estudo mostra que as políticas de Tarifa Social ganharam um ritmo inédito:

 

  • Em 2019, 2,6 milhões de famílias contavam com tarifas reduzidas. Em 2024, esse número subiu para 3,8 milhões de residências.

 

  • Com a entrada em vigor da nova Lei de Tarifa Social (Lei nº 14.898/2024), cerca de 1.896 municípios já concluíram sua implementação, enquanto outros 1.882 estão na fase final de transição.
  • Casos práticos: Em São Paulo, a reestruturação da Sabesp permitiu que o público beneficiado dobrasse, passando de 2,9 milhões para mais de 6 milhões de paulistas amparados por tarifas sociais e vulneráveis.
  1. O Motor da Economia: Investimentos e Empregos em Alta

O setor de saneamento consolidou-se como um dos grandes indutores do crescimento econômico nacional. Em 2024, o setor atingiu o terceiro recorde anual consecutivo de investimentos, somando R$ 29,1 bilhões (alta de 9% em relação a 2023).

 

Os reflexos no mercado de trabalho e na cadeia produtiva são diretos:

 

  • Mais e melhores empregos: Em 2025, o setor empregou 165,4 mil trabalhadores diretos, com um salário médio de R$ 6.595 (74% acima da média nacional).
  • Impacto industrial: A fabricação de máquinas e equipamentos para saneamento movimentou R$ 31 bilhões em 2024, crescendo a uma taxa média de 11% ao ano desde 2019 (muito acima do PIB nacional).
  • Construção Civil: As obras de redes de água e esgoto movimentaram R$ 13,1 bilhões em 2024.

 

  1. O Avanço Apressado do Capital Privado

Se antes o setor dependia quase exclusivamente do orçamento público, a chegada do capital privado mudou as regras do jogo:

 

  • Presença nacional: A iniciativa privada (por meio de concessões plenas, parciais e PPPs) já está presente em 2.720 municípios (48,8% do total do Brasil) — um número 9,3 vezes maior do que antes do Marco Legal.
  • Volume de leilões: Entre 2020 e meados de 2026, foram realizados 70 leilões, garantindo R$ 227,5 bilhões em investimentos contratados para atender cerca de 100 milhões de brasileiros.
  • Participação nos aportes: O investimento privado direto no setor saltou de 15,1% em 2020 para 32,4% do total invested no país em 2024 (R$ 9,4 bilhões).

 

  1. O Desafio dos “Municípios Sem Meta”

Apesar das boas notícias, o Panorama da ABCON acende um alerta vermelho sobre a desigualdade regional.

 

Enquanto os municípios que formalizaram metas em contrato viram seus investimentos em água e esgoto dispararem mais de 70% acima da tendência histórica, ainda existem mais de 1.400 municípios sem contratualização de metas para esgoto.

A grande maioria desses municípios vulneráveis padece com falta de planejamento:

 

  • 34% não possuem Plano Municipal de Saneamento Básico.
  • 62% sequer responderam aos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA).
  • 65% dependem de repasses federais para pagar a maior parte de suas despesas.

 

O relatório da ABCON deixa claro que o modelo regulatório do Novo Marco Legal funciona e gera frutos palpáveis para a sociedade, para a saúde pública e para o meio ambiente.

O grande desafio para os próximos anos será estender essa onda de investimentos aos municípios menores e mais dependentes, garantindo que o objetivo de universalizar o saneamento até 2033 não deixe nenhum brasileiro para trás.

 

 

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