Quando pensamos em saneamento básico, a primeira imagem que vem à mente são obras complexas, tubos enterrados e estações de tratamento. Mas um estudo recém-lançado pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX ANTE Consultoria, revela que abrir a torneira e ter esgoto tratado em casa é, na verdade, um dos maiores motores econômicos e sociais para o futuro de um estado.
O estudo integra uma série publicada pelo ITB que avalia a relação entre saneamento e economia.
O relatório “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento em Minas Gerais” traz um diagnóstico profundo sobre o impacto histórico dessas obras e projeta um cenário surpreendente até 2040.
O grande destaque? Se Minas Gerais atingir a meta de universalização nos próximos anos, o estado terá um balanço social positivo de R$ 71,8 bilhões.
O Raio-X do Saneamento em Minas (Ano-Base 2024)
Embora Minas Gerais apresente índices de cobertura melhores do que a média nacional, os números absolutos do déficit ainda impressionam:
- Água Tratada: Em 2024, 3,571 milhões de mineiros ainda viviam em residências sem acesso à água potável (um déficit relativo de 16,7%, contra 18,1% da média brasileira).
- Coleta de Esgoto: O buraco é mais embaixo. 5,198 milhões de pessoas não tinham acesso à rede de esgoto nas suas residências (24,4% da população).
- O Gargalo do Tratamento: Apenas 47,4% do esgoto gerado no estado recebia tratamento antes de voltar para a natureza. Os outros 52,6% eram apenas afastados.
O impacto ambiental: Todos os dias, são despejados cerca de 77,4 litros de esgoto sem tratamento por habitante nos rios e córregos mineiros. Ao longo de um ano, isso soma mais de 593 milhões de $m^3$ de poluição jogados diretamente no meio ambiente.
Os Benefícios da Universalização (2025 a 2040)
O estudo aponta que os investimentos necessários para zerar esse déficit geram custos sociais de R$ 82,1 bilhões. No entanto, os benefícios gerados na outra ponta alcançam impressionantes R$ 153,9 bilhões.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, reforça que esse avanço traz retornos concretos em frentes que impactam diretamente o dia a dia do cidadão. Veja onde estão os maiores ganhos:
- Menos Doenças, Mais Saúde (Ganho: R$ 1,7 Bilhão)
A chegada de água limpa e coleta de esgoto reduz drasticamente os afastamentos por diarreia, vômito e doenças respiratórias, além de esvaziar os leitos do SUS ocupados por infecções de veiculação hídrica. A economia direta na saúde pública e privada será de R$ 1,744 bilhão no período.
- Produtividade no Trabalho (Ganho: R$ 34,5 Bilhões)
Trabalhadores saudáveis e crianças que não perdem dias de aula por estarem doentes produzem mais e melhor. O aumento da produtividade e da remuneração do trabalho com a expansão do saneamento projeta um ganho de R$ 34,539 bilhões para a economia mineira.
- Alavancada no Turismo (Ganho: R$ 5 Bilhões)
Minas Gerais é famosa por suas paisagens, rios e turismo histórico. A despoluição de rios e córregos e a oferta regular de água tratada são pré-requisitos para o turismo decolar, prometendo atrair um fluxo de R$ 5,077 bilhões até 2040.
- Valorização Imobiliária (Ganho: R$ 2,8 Bilhões)
Morar em uma rua asfaltada e com saneamento completo valoriza o patrimônio. O ganho estimado para proprietários de imóveis (seja em moradia própria ou renda de aluguel) é de R$ 2,833 bilhões.
Quem ganha mais? O impacto nas regiões
O potencial de transformação financeira não se distribui de forma igual pelo estado, destacando o papel das regiões com maiores desafios estruturais:
- Maiores Ganhos Totais: A região de Belo Horizonte concentra o maior volume financeiro, liderando com R$ 15,2 bilhões (21,2% do total), seguida de perto por Montes Claros, com R$ 10,3 bilhões (14,4%).
- Maiores Ganhos Per Capita (Por Habitante): Quando olhamos para o ganho anual por morador, as regiões com maiores déficits atuais mostram a maior força de mudança. Teófilo Otoni lidera com R$ 6.131,78 por habitante/ano, com Montes Claros logo atrás registrando R$ 6.056,72.
O Legado Pós-2040: Um Futuro Sustentável
Os ganhos não param quando as obras terminam. O estudo calculou também o “saldo de perpetuidade” do saneamento em Minas Gerais. Após a consolidação da universalização (pós-2040), estima-se que os ganhos permanentes de bem-estar deixados como legado adicionem mais R$ 77,8 bilhões limpos para o estado, já descontados todos os custos de operação e manutenção das redes.
Como bem define Luana Pretto: “Em um momento em que se discute o futuro do estado e do país na agenda eleitoral, avançar nessa pauta significa construir um legado duradouro e próspero para o estado”. Saneamento básico não é gasto; é o investimento com maior retorno social que um governante pode fazer.
E na sua cidade, como está o acesso à água tratada e coleta de esgoto? Deixe seu comentário abaixo e acompanhe mais estudos e dados diretamente no site do Instituto Trata Brasil.







