CNI propõe nova agenda de investimentos em saneamento

Investir em saneamento básico no Brasil não é apenas uma questão de saúde pública: é uma das alavancas mais estratégicas para destravar a economia do país.

Um relatório publicado pelo portal Brasil 61 revelou que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs uma nova agenda de investimentos em saneamento básico a partir de 2027. A meta é acelerar o ritmo de obras para cumprir os prazos do Marco Legal do Saneamento até 2033, garantindo água potável para 99% da população e coleta/tratamento de esgoto para 90%.

A Expansão do Setor Privado nos Estados

Para atingir esses índices, a CNI aponta a necessidade urgente de mobilizar os estados que ainda estão atrasados na estruturação de planos de concessão. Atualmente, a iniciativa privada já atende 2.720 municípios brasileiros — o equivalente a 48,8% do país. O avanço desses projetos é fundamental para cobrir o déficit que as concessionárias públicas históricas não conseguiram suprir.

Os Obstáculos no Caminho

Apesar dos avanços legislativos, a universalização enfrenta gargalos econômicos e regulatórios significativos:

  • Juros altos: Elevam o custo de captação de recursos para obras de longo prazo.
  • Segurança jurídica: Exige regras claras e estáveis para atração de capital.
  • Sustentabilidade contratual: Exige governança rígida para garantir a execução contínua dos contratos firmados.

O Saneamento e a Pauta do “Custo Brasil”

O déficit geral em infraestrutura no país gera um prejuízo anual estimado em R$ 300 bilhões dentro do chamado “Custo Brasil” — que engloba os gargalos estruturais e tributários que pesam sobre o setor produtivo, somando R$ 1,7 trilhão por ano.

Hoje, o Brasil investe em infraestrutura cerca de 2% do seu PIB, valor muito abaixo dos 4% ideais sugeridos pela CNI para impulsionar o desenvolvimento. Como comparação, a China investe cerca de 6,1% e a Índia 4,5%. Vale ressaltar que quase 70% dos aportes em infraestrutura no Brasil já vêm do setor privado.

Fazer Acontecer: Do Papel à Prática

Durante o Saneamento Brasil Summit, entidades como a ABCON SINDCON reforçaram o consenso do setor: o foco imediato precisa ser a criação de condições reais de execução. Não basta apenas assinar contratos; é preciso garantir estabilidade e financiamento para que as redes cheguem às torneiras e às casas dos brasileiros.

 

Share This Article
Gemini_Generated_Image_r9bh28r9bh28r9bh
Previous post
ABCON lança “Panorama da Universalização 2026”
Next post
12 Dias Sem Água Por Ano? O Alerta do Trata Brasil para 2050
28

Leave A Reply