Sim, é um clichê: os momentos de crise são também momentos de oportunidade.
A crise, despontando com seus problemas, seus desafios, seus aspectos negativos, suas tensões, cria necessidades humanas que fazem acordar nossa criatividade, nossa inventividade, nosso senso de urgência e responsabilidade.
E não é novidade: em 2026, os gestores da capital paulista veem-se mais uma vez diante da eminência de uma crise hídrica.
Recentemente, a Região Metropolitana de São Paulo atingiu um marco histórico: uma captação média de 71,4 m³/s, o maior volume do século.
Esse aumento, claro, não é o resultado do aumento do “desperdício” (apenas); é também o reflexo de uma metrópole que não para de crescer, de uma economia que busca fôlego e, principalmente, de mudanças climáticas cada vez mãos frequentes.
Aqui, a frase célebre, frequentemente atribuída a Peter Drucker ou W. Edwards Deming, evidencia seu significado: “Não se gerencia o que não se mede”.
Para gerir, portanto, é preciso diagnosticar. E o crescimento do consumo em São Paulo, hoje, é impulsionado por um conjunto de fatores:
- Ondas de Calor: Com temperaturas batendo recordes, o consumo doméstico dispara. “O dia com maior captação de água [em 2025] foi em 23 de agosto, durante uma onda de tempo seco e calor fora de época. Foram 76 mil litros de água captados a cada segundo. Durante 252 dias de 2025, a captação ficou acima dos 70 mil litros por segundo. Para se ter uma ideia, durante 8 anos, entre 2015 e 2022, em nenhum dia, a captação chegou à marca dos 70 mil litros. Em 2024, a marca foi alcançada apenas 95 vezes e em 2023, foram 20 vezes”, diz reportagem do G1, publicada no dia 01 de janeiro de 2026.
- Verticalização: A cidade está “subindo”. Mais prédios em áreas menores significam uma demanda concentrada que desafia a pressão das tubulações antigas.
- Retomada Econômica: Shoppings, hotéis e o setor de serviços voltaram com força total, exigindo um fluxo contínuo de abastecimento.
A Gestão como Antídoto para a Escassez
Se a crise é o problema, a gestão moderna é a solução. O atual cenário de 2026 mostra que o setor de saneamento passou por transformações profundas desde o Marco Legal.
- Redução de Perdas: Não basta captar mais; é preciso perder menos. O combate aos vazamentos e “gatos” é hoje a maior fonte “extra” de água que temos.
- Tecnologia de Reúso: A indústria paulista já entendeu que usar água potável para lavar caldeiras é coisa do passado. O reúso industrial alivia a pressão sobre os reservatórios que abastecem nossas casas.
- Segurança Jurídica e Investimento: Com o aumento das Parcerias Público-Privadas (PPPs), o capital para trocar quilômetros de tubulações envelhecidas começa a fluir com mais agilidade.
O Papel de Cada Um
A gestão hídrica não acontece apenas nas salas de controle das empresas de saneamento ou nas reuniões da ANA (Agência Nacional de Águas). Ela acontece no controle do tempo do banho e na consciência de que a água é um recurso finito.
📊 Histórico de Consumo (Captação Médica na RMSP)
Para entender São Paulo, é preciso olhar para a vazão média de retirada de água dos mananciais (medida em m³/s), que reflete a demanda real do sistema operado pela Sabesp.
| Período | Vazão Média (m³/s) | Contexto Principal |
| 2014 – 2016 | ~58,0 | Crise Hídrica Histórica: Queda forçada pelo bônus de economia e restrições. |
| 2017 – 2022 | ~62,3 | Estabilização: Retorno gradual ao consumo, mas com novos hábitos de economia. |
| 2023 | ~66,0 | Retomada: Crescimento pós-pandemia e aumento de temperaturas. |
| 2024 | ~69,0 | Pré-Recorde: Consumo volta aos níveis de 2013 (pré-crise). |
| 2025 | 71,4 | Recorde Histórico: Maior retirada de água do século. |
Fontes: Relatório Instituto Água e Saneamento (2025) | G1 SP – Recorde de Retirada







