Se a Copa do Mundo levasse em conta a qualidade da água e do esgoto em vez dos gols, o Brasil decepcionaria: não passaria da segunda fase. O grande campeão mundial seria o Japão.
Esse é o resultado do estudo Copa do Mundo do Saneamento 2026, feito pela ABES-SP (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção São Paulo). O levantamento cruzou os dados de água e esgoto da UNICEF e da OMS (JMP 2025) seguindo a tabela oficial do torneio.
O Desempenho do Brasil: Alerta Ligado
O Brasil caiu em um grupo considerado fácil (o segundo mais fraco do torneio). Mesmo assim, avançou com dificuldades, com uma média de 72,0% nos indicadores.
Na segunda fase, enfrentou o Japão e foi “eliminado” sem chances. O resultado acende um alerta e repete o que aconteceu em 2018 e 2022, quando o Brasil também foi “eliminado” por potências asiáticas (naquelas ocasiões, a Coreia do Sul).
Universalizar o serviço para mais de 211 milhões de habitantes em um território gigante continua sendo um desafio monumental.
Os Campeões da Infraestrutura
- 1º Lugar – Japão (Campeão): Quase 99,0% de atendimento. Passou pelo “grupo da morte” (com Holanda e Suécia), eliminou o Brasil e venceu a Inglaterra na final.
- 2º Lugar – Inglaterra (Vice): Teve uma campanha sólida, também perto dos 99,0%. Eliminou a Argentina e a Coreia do Sul (campeã de 2022) antes de perder a final.
- 3º Lugar – Áustria: Garantiu o bronze (99,0%) ao vencer a Austrália (98,0%) na disputa do terceiro lugar.
O critério de desempate: Quando os países empatavam com notas muito próximas, avançava quem tinha a maior população. A metodologia adotou isso por entender que universalizar o saneamento em países populosos é muito mais complexo e difícil.
A Surpresa e os Extremos do Planeta
- A surpresa de Curaçao: A pequena ilha caribenha de 186 mil habitantes deu um show. Com 99,0% de indicador, eliminou Turquia e Suécia, caindo apenas nas quartas de final para o Japão pelo critério populacional. Foi a única seleção das Américas a chegar tão longe.
- Os 10 Melhores: Concentrados na Europa (Alemanha, Suíça, Holanda), Ásia (Japão, Coreia do Sul), Oceania (Austrália) e Caribe (Curaçao), com médias entre 98,0% e 99,0%.
- Os 10 Piores: Países com indicadores abaixo de 60,0%, localizados na África (Congo, Gana, Senegal), América Latina (Haiti, Colômbia, México, Equador) e Ásia (Iraque), refletindo problemas como crescimento desordenado, falta de recursos e instabilidade política.
O “Multiverso” do Futebol
O estudo prova que o sucesso nos gramados não reflete a realidade social:
- A Argentina, atual campeã do futebol, teve desempenho mediano e caiu na segunda fase.
- A Croácia, que costuma assustar no futebol, teve campanha discreta e caiu nas oitavas para a Espanha.
- O Congo (12,5%) e o México (53,0%) mostram que ter muita população sem planejamento gera grandes déficits estruturais.
No fim, a Copa do Saneamento mostra que o resultado na qualidade de vida depende diretamente de escolhas políticas, investimentos contínuos e gestão eficiente.
Histórico de Campeões da Copa do Saneamento:
- 2014: Alemanha
- 2018: Japão
- 2022: Coreia do Sul
- 2026: Japão







