Em cidades “críticas”, falta de saneamento provoca 19 vezes mais internações

Dados são do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), que avaliou 5.550 municípios brasileiros*

“Enquanto nos municípios mais desenvolvidos ocorrem apenas 4 internações por saneamento inadequado a cada 10 mil habitantes, nas cidades críticas o número é quase 19 vezes maior, chegando a 74 internações”.

Os dados são da edição 2025 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM). Publicado desde 2008, a edição deste ano avaliou 5.550 municípios brasileiros.

Segundo o relatório:

  • A edição deste ano contempla 99,96% da população do país, porcentagem que se concentra nos municípios avaliados
  • O índice reflete os padrões de desenvolvimento observados nos municípios em 2023
  • A distribuição dos municípios em 2023, levando em conta a faixa de desenvolvimento, revela um cenário desigual
  • 48,1% ou 2.669 municípios tiveram um desenvolvimento “moderado” (pontuação entre 0,6 e 0,8 pontos)
  • 42,8% ou 2.376 municípios tiveram um “baixo” desenvolvimento (0,4 e 0,6 pontos)
  • 4,5% ou 249 cidades tiveram desenvolvimento “crítico” (0,0 e 0,4 pontos)
  • 4,6% ou 256 cidades tiveram “alto” desenvolvimento (0,8 e 1,0 pontos)

A maior parte dos municípios brasileiros, portanto, teve um desenvolvimento baixo ou moderado (90,9% ou 5.045 municípios).

QUAIS DADOS FORAM ANALISADOS?

As três vertentes do IFDM SÃO:

  • Educação, que nessa edição teve o maior crescimento (+52,1%)
  • Saúde, que teve o segundo maior avanço (+29,8%)
  • Emprego & Renda, o que menos evoluiu (+12,1%)

E cada vertente, por sua vez, é composta pela avaliação das seguintes realidades:

“Em 2023, a maioria dos municípios brasileiros apresentou desempenho moderado no IFDM Saúde”, afirma o relatório da Firjan:

  • 53,2% do total de municípios avaliados (2.961 cidades) registraram pontuações entre 0,6 e 0,8 no indicador
  • 39,1% (2.179 municípios) mantiveram situação de baixo desenvolvimento no índice
  • A Saúde foi a vertente com a menor proporção de municípios classificados como de alto desenvolvimento: apenas 107 cidades (ou 1,9%)
  • 5,8% (323 municípios) foram avaliados como “críticos”

Embora apenas a vertente “Saúde” do IFDM cite o saneamento nominalmente, o setor tem relações estreitas com índices de emprego, renda e educação.

Nos últimos anos, por exemplo, o Instituto Trata Brasil (ITB) publicou uma série de estudos sobre os benefícios econômicos e sociais dos investimentos em saneamento.

No estudo “Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Brasileiro”, publicado em novembro de 2022, o ITB afirma que, com a universalização, a tendência seria de:

  1. REDUÇÃO DOS CUSTOS COM A SAÚDE
  2. AUMENTO DA PRODUTIVIDADE
  3. VALORIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
  4. EXPANSÃO DO TURISMO
  5. AUMENTO DA RENDA GERADA PELO INVESTIMENTO
  6. AUMENTO DA RENDA DAS OPERAÇÕES

No próximo texto abordaremos esses temas com mais profundidade.

*As imagens usadas neste texto foram retiradas no documento publicado pela FIRJAN.

Share This Article
perspectiva-de-diminuicao-canal-de-agua-perto-da-doca
Previous post
Cortes no orçamento afetam saneamento, afirma documento
Next post
Avanços econômicos e sociais da universalização do saneamento
Esgoto à céu aberto no Brasil.

Foto utilizada na matéria:

A cobertura de saneamento básico no Brasil melhorou, mas pelo menos um terço das casas ainda convive com esgoto a céu aberto. São 15 bilhões de litros de esgoto sem tratamento despejados todos os dias na natureza. O equivalente a mais de 6 mil piscinas olímpicas lotadas de dejetos e afins. A expansão da coleta de esgoto vem sendo modesta: pouco mais de 3%, de 2009 para 2011. A pior situação é no Norte, onde apenas 21,6% dos lares tinham serviço de saneamento em 2011. A proporção de domicílios atendidos não acompanhou o crescimento de casas.

(http://www.respostassustentaveis.com.br/blog/saneamento-basico/)

Leave A Reply