Um ano após tragédia, ANA publica estudo sobre enchentes no Rio Grande do Sul.
“Enchentes de 2024 foram o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul”, afirma estudo que “sugere caminhos para futuro com eventos extremos mais frequentes”
O estudo “As enchentes no Rio Grande do Sul: lições, desafios e caminhos para um futuro resiliente” foi publicado no último dia 30 de março pela Agência Nacional das Águas e Saneamento Básico (ANA).
A pesquisa foi lançada em data próxima ao primeiro aniversário da tragédia, que teve início no dia 27 de abril de 2024. Informações da Defesa Civil estadual apontam que:
- 183 morreram
- 27 pessoas estão desaparecidas
- 418 dos 497 municípios do estado decretaram estado de calamidade ou emergência durante as inundações
O diagnóstico técnico-científico da ANA aponta que “foi o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil”, e isto por que as chuvas tiveram duração, intensidade e abrangência territorial jamais observadas no Brasil: “o nível do lago Guaíba atingiu o máximo histórico de 5,37m na capital Porto Alegre, superando em mais de 60cm o recorde anterior registrado em 1941: 4,76m”.
As consequências desse episódio foram, pois, catastróficos e abrangentes: além de causar mortes, as enchentes afetaram cerca de 2,4 milhões de pessoas e prejuízos econômicos bilionários.
Mas embora a gravidade das enchentes no Rio Grande do Sul tenha sido única, elas estão relacionadas a problemas que nem são novos, nem são específicos do Estado. Matéria do Trata Brasil informa que, segundo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (Atlas Digital de Desastre no Brasil – 2023):
- entre 1991 a 2023, foram registrados 25,94 mil eventos hidrológicos de desastres
- 74% desses eventos estiveram relacionados a chuvas intensas
- os desastres resultaram em 3.464 mortes e causaram prejuízos econômicos superiores a R$ 151 bilhões (sem considerar os impactos do desastre ocorrido no estado do Rio Grande do Sul em 2024)
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(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasi)
Segundo o Trata Brasil, o PDD é uma “ferramenta essencial para o planejamento estratégico e a redução de riscos associados a eventos hidrológicos extremos”
“A recorrência desses desastres e enchentes expõe a fragilidade da infraestrutura urbana e evidencia a necessidade de integrar a drenagem e o manejo de águas pluviais ao planejamento do saneamento”, afirma publicação do Trata Brasil, que lançou um estudo que indica:
- que 32,49% dos municípios brasileiros relataram não possuir qualquer tipo de sistema de drenagem
- que na Região Sul, aproximadamente 193 municípios (12%) carecem desses serviços
- que apenas 263 municípios (5,3% do total) possuem Planos Diretores de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais (PDD)
- que no Sul do país, 96,6% dos municípios não têm planos de drenagem
Segundo o Trata Brasil, o PDD é uma “ferramenta essencial para o planejamento estratégico e a redução de riscos associados a eventos hidrológicos extremos”.
O diretor pedagógico da Allevant Educação, Dr. João Sergio Cordeiro, falou da relação entre manejo das águas pluviais e saneamento básico em uma série de vídeos publicados no Canal do Youtube da Allevant Educação
Ele afirma que, em geral, os temas “drenagem urbana e manejo das águas pluviais” são afastadas de discussões sobre o saneamento: “Isto apesar de esses temas estarem incorporados ao saneamento básico desde 2007 (…) Ao longo do tempo, isso leva a uma série de problemas com relação ao como manejar, como trabalhar com as águas pluviais”.
Para acessar o relatório da pesquisa da ANA, clique no link.
Para a matéria do Trata Brasil, acesso o site.







