A informação é do relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil 2025, uma publicação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Esse estudo é o instrumento oficial de atualização do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH 2022-2040), e serve como base para a tomada de decisão no SINGREH (Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos).
A partir de 2025, o Relatório Pleno passou a ser exclusivamente digital e interativo.
No Brasil, esse monitorado é feito através de 12 Regiões Hidrográficas (RHs) e 64 Unidades de Gestão (UGRHs), sendo 47 interestaduais e 17 estaduais.
No “Capítulo 2: Quantidade e Qualidade da Água” é detalhado o balanço físico da água no território brasileiro em 2024.
- Entradas e Saídas: Da precipitação total de 13,3 trilhões de m³, a maior parte (8,72 trilhões) retorna à atmosfera por evapotranspiração.
- Rede de Monitoramento: A Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) gerencia mais de 23 mil estações. A ANA opera diretamente 4.755 delas.
- Disponibilidade Hídrica: A vazão média total é de 250 mil m³/s, mas 80% está concentrada na Bacia Amazônica. Nas demais bacias, a vazão de estiagem somada é de apenas 11,5 mil m³/s.
- Qualidade da Água (RNQA): O número de pontos de monitoramento subiu para 2.983 em 2024.
- Poluição Urbana: Rios em grandes centros apresentam Oxigênio Dissolvido (OD) abaixo de 4mg/L, indicando despejo de esgoto não tratado.
- Eutrofização: No Semiárido, os níveis de fósforo frequentemente superam 0,05 mg/L, facilitando o crescimento excessivo de algas.
No “Capítulo 3: Usos da Água” é mostrado que a retirada total de água para usos consuntivos em 2024 foi de 2.098,7 m³/s.
- Perfil dos Setores:
- Irrigação: 50,3% da retirada total.
- Abastecimento Urbano: 22,3%.
- Indústria: 9,9%.
- Uso Animal: 8,3%.
- Desperdício: Em 2023, o Brasil perdeu 40,3% de toda a água potável produzida devido a falhas na rede de distribuição.
- Projeção 2040: A demanda deve crescer 1,2 trilhão de litros/ano, impulsionada principalmente pela irrigação.
No “Capítulo 4: Balanço Hídrico” é explicado que esse balanço mede o nível de comprometimento hídrico (Demanda vs. Oferta).
- Áreas Críticas: Regiões com comprometimento acima de 100% (onde a demanda supera a renovação natural) estão ligadas a polos de agricultura irrigada.
- Intermitência: Trechos do Nordeste permanecem classificados como “intermitentes” devido à seca natural dos rios.
Já no “Capítulo 5: Água e Clima” são analisados os impactos de eventos extremos e as projeções de mudanças climáticas.
- Secas (2015-2024): Houve 13.144 eventos com danos humanos, afetando 108 milhões de pessoas. Em 2024, as secas afetaram mais de 10 milhões de pessoas.
- Cheias: O período 2022-2024 teve frequência 2,5 vezes maior de cheias do que os anos anteriores.
- Catástrofe no RS (2024): Atingiu 478 municípios, causou 183 mortes e deixou um prejuízo bilionário na agricultura e infraestrutura.
- Impacto em Minorias: Projeta-se redução de 30% na disponibilidade hídrica em terras indígenas (como as dos Guarani Kaiowá) e comunidades quilombolas na Bahia e no Pará.
A Descrição da descentralização da gestão das águas no Brasil é feita no “Capítulo 6: Gestão e Governança”
- SINGREH: Composto por 249 Comitês de Bacias (CBHs), sendo 10 interestaduais.
- Cobrança pelo Uso: Implementada em rios da União e em estados como CE, RJ, SP, MG, PR, PB, ES e RN. Desde 1996, o total arrecadado é de R$ 5,458 bilhões.
- Saneamento: A ANA publicou 11 normas de referência entre 2021 e 2024 para regular os serviços de água, esgoto e resíduos sólidos.
“Ações para Gestão e Governança” são abordados no Capítulo 7:
Programas que incentivam a preservação e o tratamento.
- Progestão: Transferiu R$ 225,7 milhões aos estados por cumprimento de metas de gestão.
- Produtor de Água: Envolve 1.283 produtores rurais em ações de conservação de solo e água, com R$ 24,2 milhões pagos por serviços ambientais (PSA).
- PRODES: Pagou R$ 438,26 milhões a 59 Estações de Tratamento de Esgoto que atingiram metas de eficiência (média de 89,9% de remoção de carga orgânica).
- ODS 6: A ANA monitora 7 dos 11 indicadores globais de água e saneamento. No Brasil, 98,1% da população tem acesso a serviços de água potável, mas apenas 59,9% ao esgotamento sanitário gerido de forma segura.
O “Capítulo 8: Segurança Hídrica” foca na resiliência do país contra secas e cheias.
- ISH-U: O Índice de Segurança Hídrica municipal mostra que 58% dos municípios brasileiros têm resiliência “baixa” ou “mínima”, concentrados no Nordeste.
- PNSH: Recomenda 166 obras estruturantes com investimento necessário de R$ 26,9 bilhões.
Em por fim, o “Capítulo 9: Avanços e Desafios” aponta:
- Avanços: Modernização tecnológica, uso de satélites para fiscalização (automonitoramento atinge 80% da vazão outorgada) e fortalecimento do sistema digital de informações (SNIRH).
- Desafios: Sustentabilidade financeira dos órgãos gestores e a urgência de integrar políticas de clima, solo e energia para enfrentar os eventos extremos.







