Mais da metade dos maiores municípios investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento

O novo Ranking do Saneamento 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, traz um alerta importante: embora existam cidades brasileiras que já atingiram a excelência, o país ainda caminha a passos desiguais para cumprir as metas de universalização até 2033.

O estudo, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) de 2024, revela um abismo entre os melhores e piores municípios.

O Top 4 da Excelência

Pela primeira vez na série histórica do Ranking, os quatro primeiros colocados alcançaram a pontuação máxima. São cidades que não apenas universalizaram o atendimento, mas também mantêm baixos índices de perdas de água.

As cidades que lideram o país são:

  1. Franca (SP)
  2. São José do Rio Preto (SP)
  3. Campinas (SP)
  4. Santos (SP)

O Gargalo dos Investimentos

A maior preocupação do relatório reside na capacidade de investimento. Para universalizar o saneamento até 2033, o PLANSAB estima que seriam necessários R$ 225 por habitante ao ano.

No entanto, a realidade é dura:

  • Mais da metade dos 100 maiores municípios investe menos de R$ 100 por habitante.
  • Os 20 piores municípios investem, em média, apenas R$ 77,58.
  • Rio Branco (AC) registrou o menor investimento per capita: apenas R$ 8,99.

Desigualdades Regionais e Capitais

O cenário de esgotamento sanitário ainda é crítico. Enquanto a média de coleta de esgoto nos 100 maiores municípios é de 76,97%, cidades como Santarém (PA) registram apenas 3,28%.

Entre as capitais, o contraste é evidente. Apenas sete delas possuem índice de coleta de esgoto superior a 90%, enquanto em Porto Velho (RO) esse número cai para 8,69%. No tratamento de esgoto, a situação é ainda mais grave, com três capitais tratando menos de 20% dos resíduos coletados: São Luís (MA), Teresina (PI) e Porto Velho (RO).

O “Elevador” do Saneamento

O Ranking também destaca quem mais evoluiu e quem perdeu espaço no último ano:

  • Subiram: Teresina (PI) foi o maior destaque positivo, saltando 14 posições devido à expansão da rede de esgoto e redução de perdas. Guarulhos (SP) e Betim (MG) subiram 13 posições cada.
  • Desceram: Porto Alegre (RS) e João Pessoa (PB) apresentaram as maiores quedas, perdendo 14 posições cada, motivadas principalmente pelo aumento nas perdas e redução no atendimento.

 

Conclusão

O Brasil tem exemplos de que a universalização é viável, mas a falta de recursos em áreas críticas compromete o desenvolvimento socioeconômico. Como destaca Luana Siewert Pretto, presidente do Trata Brasil, em um ano eleitoral, é urgente que o saneamento básico ganhe o centro do debate público para que as metas de 2033 não fiquem apenas no papel.

 

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