Municípios investem menos de 65% do necessário para universalização

Ranking do Saneamento mostra que os 20 piores municípios tiveram um investimento anual médio de apenas R$ 78,40 por habitante

Para alcançar a universalização dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário até 2033, os municípios devem investir, em média, um patamar de R$ 223,82 por habitante. Esse patamar, no entanto, não está sendo alcançado, segundo dados do Ranking do Saneamento 2025.

Com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil, o Ranking é fruto de uma parceria entre o Instituto Trata Brasil (ITB) e GO Associados, e está em sua 17ª edição.

Composto por três “dimensões” –  “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência” – o Ranking apresenta dados dos 20 melhores e dos 20 piores municípios. Dentre os dados, está o investimento por habitante:

“Os 20 melhores municípios apresentaram um investimento anual médio no período de 2019 a 2023 de R$ 176,39 por habitante, cerca de 20% abaixo do patamar médio necessário para a universalização”, afirma o relatório, que elucida:

“Neste caso, contudo, como muitos desses municípios já possuem indicadores em estágios mais avançados de desenvolvimento ou universalizados, eles podem apresentar valores abaixo da média nacional, sem comprometer o atendimento às metas do Novo Marco Legal do Saneamento Básico e da Portaria 490/2021”.

Municípios investem menos do necessário para universalização

No entanto, esse patamar, para os 20 piores municípios do Ranking, é de extrema importância: “No caso desses municípios, por terem indicadores muito atrasados e distantes da universalização, ter um investimento anual médio por habitante abaixo do significa que a tomada de decisão municipal em benefício do saneamento é urgente”.

O patamar mais baixo de investimento, se consideradas apenas as capitais de Estado, foi do município de Rio Branco (AC): investiu apenas R$ 8,09 por habitante.

Outros dados apresentados pelo Ranking reforçam a precariedade do saneamento no País e a necessidade do esforço de universalização:

  • A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros
  • 44,8% não possuem coleta de esgoto
  • Dos 20 melhores municípios do Ranking de 2025, nove são do estado de São Paulo, cinco são do Paraná, três são de Minas Gerais, dois são de Goiás e um é do Rio de Janeiro
  • Dos 20 piores municípios do Ranking de 2025, quatro são do Rio de Janeiro, quatro de Pernambuco e três são do Pará. Do restante, quatro pertencem à macrorregião Norte, três situam-se na macrorregião Nordeste, um, no Centro-Oeste, e ainda outro, na região Sudeste
  • Dos 20 piores municípios ranqueados em 2025, 8 são capitais de seus estados: Recife (PE), Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO)
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Esgoto à céu aberto no Brasil.

Foto utilizada na matéria:

A cobertura de saneamento básico no Brasil melhorou, mas pelo menos um terço das casas ainda convive com esgoto a céu aberto. São 15 bilhões de litros de esgoto sem tratamento despejados todos os dias na natureza. O equivalente a mais de 6 mil piscinas olímpicas lotadas de dejetos e afins. A expansão da coleta de esgoto vem sendo modesta: pouco mais de 3%, de 2009 para 2011. A pior situação é no Norte, onde apenas 21,6% dos lares tinham serviço de saneamento em 2011. A proporção de domicílios atendidos não acompanhou o crescimento de casas.

(http://www.respostassustentaveis.com.br/blog/saneamento-basico/)
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