Levar água limpa e esgoto tratado a todos os brasileiros é um dos maiores desafios de infraestrutura e gestão do país. Mas você já parou para pensar quanto isso custa e por que ainda estamos longe de bater as metas?
Com base em estudos recentes do Ipea e do Instituto Trata Brasil, a última edição da Revista Problemas Brasileiros – uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) – publicou um texto relativo ao tema.
- Quanto custa o saneamento por pessoa?
O custo para oferecer esses serviços varia conforme o tamanho da cidade e sua complexidade geográfica. Segundo o pesquisador Fabiano Pompermayer (Ipea), o gasto anual por habitante deveria ser:
- Cidades Pequenas (até 10 mil habitantes): Entre R$ 313 e R$ 331 por pessoa.
- Grandes Cidades (acima de 250 mil habitantes): Entre R$ 386 e R$ 394 por pessoa.
Por que é mais caro em cidades grandes? Nas metrópoles, o custo sobe devido à necessidade de mais energia para bombear água por redes enormes, além do fato de os mananciais próximos aos centros urbanos serem mais poluídos, exigindo mais produtos químicos para o tratamento.
- O cenário atual: Onde estamos e para onde vamos?
O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estabeleceu metas ambiciosas para 2033. Veja a comparação entre a situação registrada no Censo de 2022 e o objetivo final:
| Serviço | Situação em 2022 | Meta para 2033 |
| Acesso à Água Tratada | 84,9% da população | 99% dos domicílios |
| Tratamento de Esgoto | 56% da população | 90% a 92% (dependendo da métrica) |
Nota: Embora o acesso à água tenha avançado apenas 3,8 pontos percentuais entre 2010 e 2022, o tratamento de esgoto teve um salto mais relevante, saindo de 46,2% para 56% no mesmo período.
- Os principais obstáculos
Por que o Brasil ainda investe, em média, apenas R$ 126 por habitante, quando o necessário seria muito mais?
- Custo Político: Muitos gestores evitam obras de saneamento porque elas envolvem quebrar ruas e cobrar tarifas, o que pode ser impopular. O benefício da obra muitas vezes só aparece após 3 a 5 anos.
- Desigualdade Regional: No Norte, por exemplo, apenas 16% da população tem coleta de esgoto.
- Desperdício: Cerca de 40% da água tratada se perde no caminho devido a vazamentos ou fraudes. Em algumas cidades, esse índice chega a 70%.
- O papel do Novo Marco Legal
Aprovado em 2020, o Marco Legal do Saneamento mudou as regras do jogo ao permitir maior participação de empresas privadas e exigir que as contratadas comprovem capacidade financeira para atingir as metas.
Embora especialistas do Ipea alertem para o risco de estudos que superestimam receitas, o Marco já viabilizou R$ 300 bilhões em investimentos. A expectativa é que, embora a meta de 2033 dificilmente seja cumprida integralmente em todo o território, o país dê um salto considerável na próxima década.







