Segundo Instituto Trata Brasil, em 2024, mais de 35 mil nortistas foram hospitalizados por doenças associadas à falta de saneamento
Um dos maiores desafios para universalização do saneamento básico no Brasil é a diferença de desenvolvimento regional.
Na Região Norte, por exemplo, vivem 17 milhões de habitantes, e cerca de 60,9% da população é abastecida com água potável, e a coleta de esgoto alcança somente 22,8% dos moradores.
A precariedade dessa cobertura leva a graves problemas. Estudo do Instituto Trata Brasil indica que, em 2024, mais de 35 mil moradores da Região Norte foram hospitalizados por doenças associadas à falta de saneamento; 12 mil dessas internações ocorreram entre crianças de 0 a 4 anos.
“Proteger a saúde da população, especialmente das crianças, passa pelo acesso universalizado de saneamento básico. Contudo, para que a Região Norte avance nos indicadores dos serviços básicos, é fundamental um aporte significativo de investimentos. Segundo o PLANSAB, é necessário investir R$ 223,82 por habitante para alcançar a universalização do saneamento até 2033. Atualmente, o Norte investe apenas R$ 66,52 por habitante, o que corresponde a menos de 30% do valor necessário”, afirma texto do Instituto Trata Brasil.
Veronica Sanchez da Cruz Rios, diretora-presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) avalia: “Estamos muito atrasados. Precisamos de entre R$ 700 bilhões e R$ 900 bilhões para universalizar. Aumentar a rede de água, aumentar a rede de esgoto. Melhorar as infraestruturas que têm mais de 60 anos, para reduzir as perdas, garantir maior eficiência, melhorar os medidores. Além disso, ampliar as redes para atender ao crescimento natural das cidades”.
Segundo Verônica, um dos maiores desafios é o de incluir populações em áreas irregulares já consolidadas, como favelas, palafitas e grotas.
Dados do Censo 2022 do IBGE apontam a existência de 12.348 favelas em território nacional, abrigando mais de 16 milhões de pessoas.







