“O saneamento é um gigante que despertou”, avalia professor

“Estão apagando incêndios ainda, ou seja, não tem planejamento para capacitação”, diz professor Gilberto de Souza Gonçalves

Durante a Fenasan, a Allevant Educação conversou com o professor Gilberto de Souza Gonçalves, nosso parceiro no curso “Gerenciamento de Projetos no Saneamento”.

Engenharia Civil com Certificação Internacional PMP® pelo PMI, especialista em Infraestrutura de Saneamento pela Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba, e MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas, Gonçalves avaliou o atual cenário do setor do saneamento, levando em conta também sua vasta experiência no mercado do setor.

Segundo ele, o que acontece ainda hoje em muitas companhias de saneamento é que “há uma cultura de bombeiro”; ou seja, muitas empresas ainda operam no modo “apagando incêndios”, e a consequência disso é “que não tem planejamento para capacitação”.

“É tudo urgente: houve uma concessão ontem, a gente pega uma cidade amanhã, o que a gente vai fazer? É tudo imediatista, e isso pode gerar um monte de problemas”, afirma o engenheiro.

Dentre esses possíveis problemas, ele cita a perda ou a queda da rentabilidade e lucratividade, e a ineficiência nas operações: “Estão trocando o pneu com o carro andando, mas, ao mesmo tempo, tem que ir planejando em paralelo a questão de capacitar para que a cidade – seja a parte de água, esgoto, resíduos sólidos ou águas pluviais – seja gerenciada de forma adequada”.

Para ele, “falta esse acordar”: “O saneamento é um gigante que despertou lá atrás, no Marco, mas quem está à frente ainda não acordou e não entendeu que tem que ser rápido esse processo de capacitação, é a base de tudo”.

Sobre o Novo Marco Legal, o professor Gilberto afirma que deu origem a um processo de “disrupção total no mercado”; e isto porque, dentre outros motivos, “empresas que eram públicas estão se tornando empresas privadas, mas a gente necessita de pessoas capacitadas, então a gente sente que o mercado ainda demanda de técnicos, tem tecnologia, tem inovação, tem novidade, tem tudo avançando, mas ainda tem uma lacuna, que é de mão de obra qualificada”.

APAGÃO DE MÃO DE OBRA

O debate sobre o “apagão de mão de obra no Brasil”, não apenas no mercado de saneamento, mas de forma geral, é amplo e documentado por diversas entidades setoriais, institutos de pesquisa e pela imprensa.

A falta de profissionais nas áreas de engenharia e construção civil frequentemente são analisadas em conjunto, já que a engenharia civil é a espinha dorsal da construção.

Levantamentos do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), baseados em dados do Inep (MEC), e repercutidos pela imprensa, projetam um déficit potencial de até 1 milhão de engenheiros no Brasil até 2030. A queda no número de matriculados nos cursos de engenharia, especialmente a civil, é a principal causa apontada.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), outra das fontes sobre o tema, aponta para um déficit atual de centenas de milhares de trabalhadores qualificados no setor. Para fazer essa afirmação, a Câmara cita dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

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